O Rio de Janeiro recebeu, entre os dias 17 e 21 de agosto, o Workshop Regional para o Atlântico Sul e o Caribe Estendido, iniciativa vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), organizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) e pelo projeto Maré de Ciência. O encontro marcou o início do 4º Ciclo do Processo Regular para o Relatório e Avaliação Global do Estado do Meio Ambiente Marinho, incluindo Aspectos Socioeconômicos (2026–2030).
Durante cinco dias, cerca de 20 pesquisadores e especialistas de diferentes áreas relacionadas ao oceano participaram das discussões que irão contribuir para a elaboração da quarta Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA IV). O processo reúne representantes do Atlântico Sul, Caribe, África e América Latina para discutir temas que estarão presentes no próximo relatório global sobre o estado dos oceanos.
Entre os assuntos debatidos estiveram gênero, conhecimento tradicional, cultura oceânica, economia azul, governança dos oceanos e a relação entre ciência e políticas públicas. A proposta é ampliar a diversidade de conhecimentos considerados na avaliação mundial e aproximar a produção científica das decisões relacionadas à conservação e ao uso sustentável do oceano.
Um dos diferenciais do workshop foi a participação de jovens estudantes na programação principal, a convite do professor e pesquisador Ronaldo Christofoletti (UNIFESP), coordenador do Programa Maré de Ciência e do Programa Escola Azul Brasil. A presença dos estudantes ampliou o diálogo entre diferentes gerações e perspectivas, permitindo que experiências vivenciadas nos territórios amazônicos fossem compartilhadas diretamente com pesquisadores e especialistas envolvidos na avaliação mundial dos oceanos.
Entre os participantes esteve Cristiane Lima de Souza, estudante da Escola Estadual Professora Nanci Nina Costa, em Macapá (AP), acompanhada pela professora Patrícia Nóbrega, do projeto STEmar. Também participou Danilo Carréra, estudante da Escola Estadual Izidório Francisco de Souza, em Maracanã (PA), acompanhado pelo professor Hericton Raiol, do projeto Escola Azul no Pará. E de Barcarena (PA) a aluna Lyndisse Santos, acompanhada pela professora Karla Pinheiro.
Os estudantes das escolas Escola Estadual Professora Nanci Nina Costa e Escola Estadual Izidório Francisco de Souza, participaram do workshop como representantes da Olimpíada do Oceano, iniciativa coordenada pela professora Jussara Lemos, do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP/UFPA), em parceria com o Programa Maré de Ciência (UNIFESP). A participação possibilitou que conhecimentos, percepções e experiências construídos a partir da realidade amazônica fossem levados para um espaço internacional de discussão sobre ciência, políticas públicas e conservação dos oceanos.
Um dos momentos de destaque foi o painel “Youth participation in science-policy process: integrating generations and scales”, que reuniu seis estudantes de diferentes escolas e níveis de ensino. Durante a atividade, os jovens discutiram a importância de sua participação nos processos de construção de políticas relacionadas ao oceano, desde a identificação dos problemas até a proposição e implementação de soluções.
A presença de estudantes amazônidas nesse espaço reforça a importância de reconhecer a juventude como parte ativa dos processos de produção de conhecimento e de tomada de decisão. Ao levar para o debate suas vivências territoriais, os jovens contribuem para ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas comunidades que mantêm uma relação direta com rios, estuários, manguezais e ambientes costeiros.
Para o coordenador do Programa Maré de Ciência e do Programa Escola Azul Brasil, Ronaldo Christofoletti, a participação dos estudantes representa uma importante oportunidade de inserir a juventude nos espaços de discussão e construção de políticas para o oceano, aproximando diferentes gerações e formas de conhecimento.
A participação dos estudantes paraenses também reforça a importância de levar a perspectiva amazônica para espaços internacionais de discussão sobre os oceanos.
O Pará possui um extenso litoral e sua população mantém uma relação histórica e cotidiana com rios, estuários, zonas costeiras, manguezais e ambientes marinhos. As comunidades ribeirinhas e costeiras dependem diretamente desses ecossistemas para atividades como pesca, transporte, alimentação e geração de renda.
Nesse contexto, a presença de jovens paraenses em um espaço internacional de construção de conhecimento representa uma oportunidade para aproximar ciência, educação, território e participação social.
A participação dos jovens no workshop estabelece uma relação direta com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.
O ODS 4 – Educação de Qualidade destaca a importância de garantir uma educação inclusiva e de qualidade, além de promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida. Nesse sentido, a participação de estudantes em espaços de diálogo com cientistas e tomadores de decisão amplia as possibilidades de aprendizagem para além da sala de aula, estimulando o pensamento crítico, a participação cidadã e o protagonismo juvenil.
Já o ODS 6 – Água Potável e Saneamento está diretamente relacionado à proteção e à gestão sustentável da água. Ao discutir o estado dos oceanos e dos ambientes aquáticos, iniciativas de educação e cultura oceânica contribuem para ampliar a compreensão sobre a conexão entre rios, zonas costeiras e oceano.
E ODS 14 – Vida na Água, que busca conservar e promover o uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos.
Para estudantes da Amazônia, essa relação é ainda mais próxima. As águas fazem parte do cotidiano, da cultura, da economia e da identidade de diversas comunidades. Levar essas experiências para espaços de discussão científica contribui para uma visão mais ampla sobre os desafios relacionados à conservação dos recursos hídricos.
O workshop realizado no Rio de Janeiro representa, portanto, mais do que uma reunião de especialistas para discutir um novo relatório internacional. O encontro também abriu espaço para que diferentes gerações e diferentes formas de conhecimento participassem da construção de uma agenda global para os oceanos.
As contribuições reunidas durante o evento irão auxiliar na elaboração do escopo da WOA IV, que avaliará o estado do ambiente marinho e seus aspectos socioeconômicos no período do quarto ciclo, de 2026 a 2030.
Para os jovens participantes, a experiência representa a oportunidade de levar suas vivências territoriais para um espaço internacional e, ao mesmo tempo, conhecer de perto pesquisadores, instituições e processos que ajudam a definir as prioridades para o futuro dos oceanos.
A participação da juventude demonstra que formar cidadãos conscientes sobre os ambientes aquáticos também significa criar espaços para que esses jovens participem das decisões sobre o futuro desses territórios.
Nos dias 17 e 20 de setembro, o NEAP será sede para o curso "Lugares como patrimônio cultural: direitos territoriais e ambientais em processos de proteção dos bens culturais", promovido pelo grupo de pesquisa EHNAPAM, sendo ministrado pela Profa. Dra. Luciana Gonçalves de Carvalho (UFOPA), no âmbito do projeto "Ensino, pesquisa e extensão com foco em gestão territorial, direitos culturais e desenvolvimento em comunidades quilombolas".
A Professora Luciana Carvalho é Doutora em Ciências Humanas – Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA/UFRJ, 2005), com pós-doutorado em Antropologia na Universidade de Brasília - UnB (2020-2021). Atualmente, é Professora Associada na Universidade Federal do Oeste do Pará, onde atua nos cursos de graduação em Antropologia, mestrado em Antropologia e Arqueologia (PPGAA) e doutorado em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND, da área de Ciências Ambientais). Também é Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFPA.
O curso tem o objetivo de refletir sobre a gestão territorial e a proteção dos direitos culturais em comunidades quilombolas, incentivando a formação e o desenvolvimento de lideranças quilombolas em várias regiões do Brasil.
Data: 17 e 20 de setembro
Horário: 08h às 12h
Emissão de Certificado - Carga horária: 8h
Link para inscrições:
Artigo de autoria do Prof. Dr. Leandro Juen (ICB-UFPA).
Clique no ícone abaixo.
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O Clube Azul da Escola Estadual Francisco Nunes, a primeira escola a receber a certificação de Escola Azul do Atlântico na Região norte brasileira, em parceria com GPECA/NEAP/UFPA, foi agraciada com duas medalhas na terceira edição das Olimpíadas do Oceano. O Clube Azul ganhou medalha de ouro na categoria projeto socioambiental na região Norte, e medalha de prata na mesma categoria, em ampla concorrência nacional. Parabéns aos clubistas, em especial ao Prof. MSc. Héricton Raiol por liderar as ações de Cultura Oceânica em Maracanã-PA!
#ODS-14 #CNPq #culturaoceânica #NEAP #clubeazul #olimpiadadooceano
Para maior detalhamento:
Está lançado o edital para o mestrado do Programa de Pós Graduação em Ecologia Aquática e Pesca (PPGEAP) da Universidade Federal do Pará!
O programa é nota 5 na avaliação da CAPES e ofertará 21 vagas para 2024 dentro das linhas de pesquisa: Biodiversidade Aquática, Conservação e Impacto Socioambiental sobre Ecossistemas Aquáticos e Ecologia e Manejo de Recursos Pesqueiros. As inscrições ficarão abertas entre 03 e 22 de janeiro de 2024.
Para maiores informações acesse o edital com o link abaixo.
COMUNICADOS URGENTES:
1- SIGAA: Orientação de como preencher o formulário de inscrição. Clique no ícone abaixo para mais informações.
2- Boleto de inscrição para o processo seletivo do mestrado. Clique no ícone abaixo para mais informações.
No dia 16/11/2023, foi realizado na E.M.E.F Francisco Nunes (1º Escola Azul do Norte), situada no município de Maracanã-PA, a feira científica que foi parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT-CNPq), e que teve como tema: "Ações e Narrativas para a Construção da Cultura Oceânica". Na ocasião, representantes do NEAP estiveram presentes oferecendo um minicurso de identificação de crustáceos e uma exposição sobre a ecologia do grupo.
Entre ariranhas, botos e peixes, os professores Juarez Pezzuti e Daniely Felix da Silva ministram a disciplina de campo: "Ecologia, conservação e manejo de répteis aquáticos", que inclui quelônios e jacarés, no rio Xingu. A turma esse ano conta com 4 alunos de mestrado do PPGEAP e 4 indígenas Kayapó que vieram participar, apoiados pela Associação Floresta Protegida - AFP, do povo Kayapo. Clique no ícone abaixo para mais informações.